Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram,
Quando por dentro eu sei que choram.
.......

Mesmo que chova no Verão,
Queres dizer " Sim " mas dizes " Não "
.......

Vamos fazer o que ainda não foi feito







quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Charlie Chaplin


Ontem á noite sentei no sofa a jantar e resolvi ver um DVD, a escolha foi um filme que ja tinha visto varias vezes mas que é uma delicia .

Tempos Modernos de Charlie Chaplin

Este filme de 1936 podia e devia ser realizado nos tempos de hoje , é uma critica feroz contra a exploração humana e que Charlie Chaplin consegui de forma notável passar para o cinema .
Sendo um filme mudo é duma riqueza enorme e altamente recomendado, estou certo que de uma forma geral todos nos vamos rever um pouco na historia do filme .

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Casa do Alpendre

Dedico este pequeno conto a uma amiga especial .

Era mais um final de tarde igual a muitos outros, Mário ouviu o estrado de madeira ranger nas suas costas, cada passada fazia cada tábua de madeira tremer o pequeno banco onde estava sentado com a pequena cana de pesca na mão aguardando que um peixe mais distraído fosse morder o isco improvisado com os restos do jantar do dia anterior. Como sempre , sentiu uma mão pousar sobre o seu ombro e escutou a voz de Isabel a dizer que estava a ficar fresco, se ele não queria vir para casa que ela tinha preparado um chá de cidreira.
Recolhidos os artefactos e devidamente aconchegados numa cesta de verga que já tinha varias partes quebradas foram caminhando lentamente ao som das tábuas de madeira que rangiam a cada passo, Mário pegou na mão de Isabel e aqueles metros que os separavam do pequeno pontão que terminava na margem do rio ate á casa foram percorridos como que voando sobre nuvens fofas.
Ambos subiram os seis largos degraus e chegados ao alpendre soltaram as suas mãos e olharam ambos para o rio com a sua pequena queda de agua sobre pedras polidas vendo como o Sol fazia reflexo no mesmo dando-lhe um ar de espelho, todo o verde que rodeava a casa estava espelhado naquele rio, um rio sem nome mas que era deles.
Já com duas canecas de chá quente sobre a mesa de verga e sentados em duas confortáveis cadeiras também de verga recheadas com pequenas almofadas para maior conforto, fizeram um brinde tal como sempre faziam no momento em que ambos bebiam algo em comum, fosse chá , vinho ou outra bebida qualquer, só não o faziam com agua, pois Isabel dizia que brindar com agua era mau prenuncio.
Aquele alpendre era o perfeito convite ao silencio era um alpendre largo onde de forma desafogada estavam uma grande mesa e oito cadeiras, duas camas de linho cru seguras por fortes cordas em dois ganchos e a pequena mesa e duas cadeiras que servia , para ambos tomarem as refeições em dias de clima ameno e para saborearem o chá que ambos tanto apreciavam, que era sempre tomado ao final da tarde naquele local independentemente do clima , pois o que variava era apenas a roupa que vestiam para aquele momento solene que era um dos prazeres da vida de ambos. Uma vez Isabel abordou o assunto sobre o facto de não saber se algum dia iria conseguir beber o cha naquele alpendre sozinha, mas Mário logo lhe fez um sinal colocando o dedo na forma vertical sobre os lábios para que ela não terminasse o seu raciocínio, tinha sido a primeira e a ultima vez que tinham abordado o assunto daquele prazer poder vir a ser abordado individualmente.
Tudo que se avistava daquele alpendre alem do rio que parecia que sempre procurava o brilho do Sol para ser espelhado era um enorme relvado muito verde que era cuidadosamente tratado por ambos com a ajuda de dois carrinhos corta relva comprados em segunda mão, eram momentos que a ambos fazia lembrar os tempos de escola, pois era um momento de brincadeira e disputa por aquele que de forma mais rápida cortava o seu espaço de relva, um ritual que sempre terminava com um brinde com sumo de laranja, espremido com a força da mão sobre pequenos copos, era um sumo doce que Isabel apelidava de laranja de mel, eram sumarentas laranjas colhidas da grande laranjeira que estava ao lado da casa.
Aquela casa quase podia ser resumida ao alpendre, tinha quase tanto de alpendre como de interior, mas era esse mesmo o seu segredo , o seu alpendre e os prazeres que se desfrutavam no mesmo, passada a porta de acesso á casa existia uma sala ampla com um grande lareira central com uma enorme chaminé em tons de cobre que não só servia para aquecer a casa nos dias frios como servia para aquecer a agua para o chá ou apara pequenas refeições, a um canto da sala dois confortáveis sofás individuais sobre uma carpete de pelo grosso totalmente ocupada por almofadas convidativas para alguém se deitar, bem ao estilo árabe de tanto agrado de Isabel. Sem separação um pequeno local onde era possível lavar a pouca louça que ambos sujavam e um pequeno fogão que servia para preparar as pequenas refeições que ambos tomavam, uma cama na outra ponta da sala de costas para uma grande janela era o local onde ambos ansiosamente esperavam o dia seguinte aproveitando para retemperar as forças e redobrar os sonhos, uma pequena porta dava acesso a um pequeno quarto de banho composto por um lavatório sanita e um chuveiro que cada vez debitava menos agua por força do calcário que ia ficando agarrado aos velhos canos. Não existia televisão ou telefone, existia apenas algo que destoava no meio de toda aquela ciência de vida ao estilo Carmelita, era o que eles carinhosamente chamavam do “arroba “ era um computador portátil com uma ligação sem fios á net , mas que apenas era ligado uma vez por semana para ver se existiam mensagens dos filhos e para eles informarem os filhos que tudo estava bem com eles. Uma vez por mês enviavam um mail para o Sr Fernando que tinha um pequeno supermercado na localidade mais próxima que distava cerca de 40 km com a lista de compras do mês, o Sr Fernando pouco dado a estas modernices tinha aceite ligar a net ao seu computador que servia de caixa registadora apenas para servir estes clientes, ele lia a lista das compras enviada por mail , colocava tudo dentro de um carrinho fazia o carrinho passar pela caixa onde ele ia registando cada produto como se o cliente tivesse presente e assim que tinha obtido o total enviava um mail com o valor total, mail recebido e o valor total acrescido da taxa de entrega previamente acordado era por instrução bancária depositado na conta do Sr Fernando, depois era esperar pelo dia seguinte e ver a poeira a ser levantada pela velha Ford transit que chegava sempre entre as 10.30hrs e as 11.00hrs da manha como ele gostava sempre de realçar como se isso fosse importante para os seus clientes, pois nem usavam relógio nem se preocupavam com as horas, para eles havia dois horários o dia e a noite e duas sub-divisões o amanhecer e o por do sol, tudo o resto era o relógio biológico deles que ditava o que se fazia. Com a cumplicidade de D.Graça e Sr António que trabalhavam nos correios da vila e que tinham casado depois de vários anos partilhando selos e registos, a correspondência era entregue ao Sr Fernando que a transportava sobre o banco do passageiro, eram pequenas contas de agua, luz e extractos de banco, as contas eram de imediato pagas através do Arroba e os extractos do banco iam de imediato servir de combustível para aquecer a agua do próximo chá. Uma vez ou outra lá vinha uma encomenda maior e mais pesada, algum livro encomendado e pago pelo sempre solicito Arroba que apenas servia para juntar Isabel e Mário ao mundo civilizado, situação que eles permitiam pois sabiam que a qualquer momento com a ajuda de um simples toque no rato estavam de novo de volta ao seu mundo.
Num dos vários momentos de divagação que ambos tinham chegaram a pensar em comprar um pequeno carro para irem á vila e desta forma dispensavam o Arroba, mas logo concluíram que sair daquele mundo era desperdiçar momentos da vida.
Quem seria o presidente da Republica ? será que viviam ainda numa republica ou já seriam uma monarquia ? Estaria a decorrer a 3ª guerra Mundial ou será que essa já tinha terminado e estava-se á porta da 4ª guerra Mundial, será que o mundo Arabe já tomou de assalto o mundo Ocidental ? ou já passaram imagens na televisão de mulheres muçulmanas a queimar as burcas tal como as Ocidentais fizeram em tempos com os soutiens ?, tudo isto eram perguntas que podiam ser feitas por Mário e Isabel , mas que nunca tinham sido feitas nem nos momentos de maior solidão individual, eles não faziam estas perguntas , apenas queriam saber se o outro estava bem.
A Chegada da Ford transit do Sr Fernando do supermercado era um momento alto , assim que Isabel ou Mário avistavam a poeira da estrada a ser levantada ao longe , embora sabendo que ainda demorava uns 5 minutos a chegar, logo desciam as escadas que davam do alpendre para o relvado para percorrer os poucos metros ate onde terminava a estrada de terra batida que vinha desde a vila. Entregue os sacos com as compras do mail e o correio , Sr Fernando tentava sempre matar a curiosidade sobre o facto daquelas duas pessoas viverem ali isoladas sobre o rio, mas as tentativas que sempre fazia para obter dados concretos sobre Isabel e Mário batiam no muro de silencio, desta forma Sr Fernando não podia regressar á vila com motivos para especular, já muito se tinha especulado, sobre estes estranhos habitantes , ate o graduado Gomes da policia local tinha ido um dia fazer uma visita para tentar saber ao certo o que aquelas criaturas faziam na berma do rio numa casa em traves de madeira construída em poucos dias por técnicos vindos da cidade que tinha uma grande placa no final da estrada de terra batida que dizia :

CASA DO ALPENDRE
“ A NOSSA “

Justiça ou não ?

O Tribunal Europeu dos direitos Humanos condenou a França por um seu tribunal ter impedido que um casal de Lesbicas adoptasse uma criança .
O Estado Francês foi condenado a pagar ao “ casal “ uma indemnização por danos morais baseado em descriminação homossexual .
Ser membro da Comunidade Europeia tem destas particularidades pois qualquer cidadão ou empresa pode meter uma acção judicial nos tribunais Europeus no entanto os mesmos quase sempre não alteram as decisões dos tribunais de cada pais limitando-se apenas a este tipo de condenações e recomendações para possíveis alterações da lei.

Fica a duvida , se esta a França com uma lei correcta nesta matéria e se de facto um “ casal “ homossexual pode e deve poder adoptar uma criança , em minha opinião e pensando exclusivamente na própria criança digo que NÃO !
Em Portugal duas lésbicas tentaram casar numa conservatória do registo e não conseguiram o que em minha opinião é algo de estranho pois vivendo numa sociedade aberta e livre devia ser possível este tipo de casamentos enquadrados num quadro legal e fiscal idêntico aos casamentos heterossexuais tal como existe em Espanha.
Desta forma estou a levantar um problema … se podem casar porque não podem adoptar ?
Pois é ….. ainda bem que não sou eu que tenho que decidir !!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Estou feliz...

Como o blog è meu posso escrever o que quero e coisas que so alguns entendem , e hoje è um desses dias , estou longe de casa num teclado estranho ( ¿¿ ) mas ........
Hoje li algo que me deixou feliz e por isso post aqui o meu sentimento.

Obrigado Menina !!!!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bem vindos a casa ….

Se escrevi algo na hora da vossa partida, não posso deixar de escrever nesta hora em que estão a regressar.

Tudo que é bom acaba depressa, diz o povo e com razão, espero que seja esse o vosso sentimento ao abrirem de novo a porta de vossa casa, felizmente já tive esse sentimento por diversas vezes e arrisco mesmo dizer que a ultima vez foi numa situação que vos envolveu directamente .

M , L , B , D e filhos cheguem em paz e tranquilidade !!

O “ preço “ de um Sonho

Os Latinos e ao contrario dos habitantes do Norte da Europa usam sempre o vicio de antes ou no final de reuniões profissionais divagar um pouco sobre assuntos externos ao teor da reunião, e foi numa dessas conversas que o meu convidado para um almoço de trabalho me contou que um seu familiar directo era um fanático pelo teatro amador fazendo parte de uma companhia de teatro assim como envolvido na formação de novos actores, com emoção foram descritas varias situações reveladoras do verdadeiro amor ao teatro sendo a mais significativa a vontade e sonho de um dia poder ir a New York assistir a uma peça na Broadway e pisar o palco de um daqueles míticos teatros.
Em todas as passagens de ano um dos seus votos era cumprir o sonho de ir a New York, partilhava este sonho com todos os que o rodeavam e finalmente aos 48 anos conseguiu reunir as condições para passar 3 dias na Big Apple, tudo tratado e ate um bilhete para uma peça na Broadway que imagino tenha assistido com a emoção duma criança na noite de Natal, terminado o espectáculo e já sem espectadores na sala, pediu para subir ao palco para sentir aquela emoção, diz quem viu que no meio do palco abriu os braços sorriu e caiu fulminado por um ataque cardíaco.
Sendo uma pessoa que tinha vários cuidados com a sua saúde, foi uma surpresa para a família e os amigos, as autopsias não vão dentro das nossas almas e por isso o resultado ficou-se por ataque cardíaco, mas a verdadeira causa da morte foi emoção, a emoção do sonho cumprido ao fim de tantos anos.
Mesmo nunca tendo conhecido ou visto actuar este actor deixo aqui a minha homenagem a quem pagou caro o realizar de um sonho, mas estou certo que no momento, em que como dizem testemunhas, abriu os braços como que para agradecer os aplausos ele se sentiu o homem mais feliz do mundo.
Morreu um homem, um actor…….Morreu FELIZ !

sábado, 19 de janeiro de 2008

Fui Caminhar, mas ...........................

Talvez inspirado por ter conseguido falar com uma pessoa especial e por saber que tudo estava bem, resolvi deixar a empresa mais cedo e aproveitando o facto de não chover, fui fazer uma caminhada junto ao mar.

Parei o carro no Castelo do Queijo e iniciei a caminhada pelo passeio junto ao mar bem no inicio da Avenida Montevideo tendo como objectivo percorrer a mesma ,entrar pela Avenida Brasil e caminhar ate á zona onde o Douro se encontra com o mar.

Temperatura fria mas suportável, um Sol tímido e um mar bonito, fui caminhando a olhar para o Oceano Atlântico.

Tudo era perfeito, mas a falta de civismo de muitos começaram a estragar a minha caminhada, infelizmente ainda são muitos os que vão passear os cães e que não conseguem ter a dignidade de apanhar o que eles sujam, o caminho esta repleto de exemplares de fezes de cão de variados tamanhos e feitios variando conforme a origem e raça do seu autor, desta forma a minha caminhada foi como um videogame, daqueles bem básicos a lembrar o antigo Spectrum em que caminhamos e nos desviamos de algo, não sei o numero de km percorridos, mas felizmente escapei sem pousar o meu sapato em nenhum daqueles exemplares .

Fiz 100% !, eu sei que estava no nível 1 pois ainda havia luz solar, mas ao chegar de novo ao Castelo do Queijo e como o Sol já estava a cair e a visibilidade fraca, resolvi não arriscar o segundo nível e percorrer de novo o caminho.

Pela minha janela vejo muitas vezes um vizinho que vai passear o seu cão e apanha todos os detritos orgânicos sólidos que o animal deixa no seu passeio, infelizmente nem todos o fazem, se já existe uma lei anti-tabaco porque não se cria uma lei anti-merda de cão nas ruas ?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

F E R I A S

Ainda me lembro das ferias na companhia dos meus pais e irmãos, depois uma fatalidade reduziu apenas ao meu irmão, lembro-me dos locais, dos cheiros dos amigos “de ferias “ depois vieram as primeiras ferias apenas com amigos, de tenda de campismo e de apenas 2 dias, era o primeiro passo para me tornar um homem e dessa forma os primeiros amores “ de praia “ paixões arrebatadoras que vivemos em adolescentes e que pensamos que não vamos sobreviver, mais tarde e mais adultos as ferias com a namorada, onde já se procurava outro tipo de conforto pois cada momento era para ser aproveitado, se havia ferias sem namorada havia ferias com “ namoradas “ esporádicas e as primeiras saídas ao estrangeiro, o Sul de Espanha era o verdadeiro paraíso.

Depois as ferias já casado e com filha , lugares previamente escolhidos e escolhidos ao pormenor e sonhados durante meses, foram longos e bons anos nesta rotina de em Fevereiro iniciar o processo de escolha do destino das ferias, entretanto chega o divorcio e as ferias perdem parte do seu encanto, são feitas sempre e sempre na companhia da filha na tentativa de lhe proporcionar tudo do melhor mesmo que nem sempre seja devidamente apreciado, as namoradas não gostam muito da ideia e por vezes rompem por não entender que as ferias são para dedicação total á filha, tudo isto sempre numa filosofia de tentar agradar. Com todo este envolvimento esquecemos que eles crescem já não são mais crianças e que ferias com o pai são uma “seca “ mesmo que sejam em destino exóticos ou cosmopolitas cidades , e aos poucos vamos ficando sozinhos, olhando em volta á procura de algum amigo nas mesmas condições , pois as ex namoradas nunca perdoaram o amor e dedicação á minha filha .

Arrependido ?? Não !!!

Como qualquer pessoa normal adoro as ferias e tudo tento fazer para que elas sejam algo de bom mesmo que sejam apenas 3 ou 4 dias fora da rotina normal.

Dedico este post a uma grande Amiga que esta de partida para umas mini-ferias na companhia dos filhos e de uma outra amiga e filhos, e deixo os votos que tudo corra pelo melhor e se divirtam eu fico a fazer força por isso e como o blog é meu e posso escrever o quero, digo mesmo que a minha vontade mesmo era ir junto e por momentos viver o cheiro e os sabores de uma “ família “ em ferias .

M, B , L D e filhos …. BOAS FERIAS !!!!!!!!!!!!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Guitarra Portuguesa


A guitarra Portuguesa de forma ligeiramente diferente das guitarras normais, de forma mais oval é o instrumento que dá ao fado aquele toque nostálgico que faz ser um género de canção apreciado em todo o mundo.

A guitarra Portuguesa tem vida, seus acordes são como gemidos, são palavras construídas pelos dedos do artista. Quem já teve o privilegio de assistir a uma noite de fados sabe que todos os fados se iniciam com uns acordes da guitarra Portuguesa e é nesse momento que sentimos o arrepio na espinha e que se faz o silencio.

Silencio que se vai escutar guitarra Portuguesa .

http://www.guitarrasdeportugal.com/GSR-03-CancaodoTejo.mp3

sábado, 12 de janeiro de 2008

Simone Beauvoir faria 100 anos no dia 9 Janeiro 2008


Simone Beauvoir nasce em Paris a 9 Janeiro de 1908 e morre aos 78 anos na tarde de 14 e Abril de 1986.

Com uma escrita notável mas por vezes complicada, destaco “ Todos os homens são mortais “



A tua segurança faz-me sentir inseguro !

A minha segurança faz-te sentir insegura !

Vivemos na utopia da segurança, na busca da insegurança do outro !

Simone de Beauvoir em seu apartamento, em março de 1986

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Terrorismo...Não Obrigado !

Acordei tarde, para aproveitar o verdadeiro ultimo dia de ferias, sai para um pequeno-almoço completo que serviu de almoço e aproveitei para ler as noticias, comprei dois jornais diários e uma revista semanal , assim que regressar á empresa vou ter vários exemplares das revistas das quais sou assinante, os livros vão ficar na prateleira por alguns dias, mesmo sendo noticias ou temas já vistos não resisto ao desfolhar de uma revista. Mas hoje é dia de ler os jornais.

Em ambos os jornais li que em 3 anos tinham morrido no Iraque vitimas do conflito existente mais de 130.000 pessoas ou seja uma media de 120 pessoas por dia !!!

Alem deste numero aterrador temos que adicionar os do Paquistão da Indonésia e porque não os de Londres e Madrid, também eles vitimas inocentes de uma guerra de caprichos e desejos escondidos que nós as vitimas nunca vamos conseguir entender.

Talvez por ter vivido em Londres com medo dos atentados do IRA e em Barcelona com medo dos atentados da ETA, sei como se vive ao saber que podemos ficar reduzidos a nada em qualquer momento, vitimados por um fanático qualquer que iludido por um punhado de virgens no céu, destrói vidas e decepa corpos em nome de um Deus que nos querem impor á força .

Que o outro Deus que não este, tenha a força e demonstre que a tem… para iluminar a mente de uns e outros para que possamos TODOS desfrutar esta vida na companhia daqueles que nos trazem coisas boas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A saude em Portugal ....

Esta manha, fui fazer a habitual recolha de sangue para acompanhar o desenvolvimento ou não duma antiga brucelose ou febre de malta que me apanhou desprevenido num queijo fresco que comi á já bastante tempo .

Desta vez optei por não recorrer ao hospital publico onde tenho uma boa “ cunha “ , usei o seguro de saúde e fui ao privado, estava eu no interior do serviço de urgência esperando uma segunda recolha e deparei com uma mulher que seguramente não teria mais de 40 anos, mas que a vida difícil já lhe tinha colocado no corpo e na cara mais alguns anos, as mãos , mostravam que era alguém que passava bastante tempo no trabalho do campo e chorava quase em silencio.

Não resisti e perguntei se podia ajudar

Sua mãe estava em perigo de vida naquela urgência , não entendi porque razão naquela urgência privada e não numa urgência publica, mas isso não era importante no momento, sua mãe tinha que ser transferida para um hospital publico pois a conta a pagar no privado era muito elevada, para isso, ia ser necessário fazer o transporte numa ambulância preparada ( sofisticada ) para que a pobre senhora conseguise ter suporte de vida no trajecto, a conta da urgência privada já estava alta e o transporte também tinha que ser pago, mas que raio de pais este em que a própria vida humana é orientada por tabela de preços e gerida por gestores empresariais.

Não quero ser herói, mas paguei o custo da ambulância , este mês vou gastar menos em musica e livros e janto em casa mais umas 3 ou 4 vezes, mas vou dormir bem melhor que os gestores daquele hospital privado onde não voltarei nem para uma simples recolha de sangue.

Desculpe Sra Dra Psicóloga, sei que não devo escrever estas coisas conforme tanto me recomendou mas….. não estou a escrever em papel ……..

Tradições Portuguesas - Estupidas mesmo !!!

Dois dias para miúdos fumarem

Mirandela

Nem sequer a pouca idade é motivo para se deixar de fumar por altura das festas de Vale de Salgueiro

Na aldeia de Vale de Salgueiro, no concelho de Mirandela, a tradição voltou a cumprir-se, com uma forma bem original de assinalar o dia de Reis, também chamada Festa dos Rapazes, em honra de Santo Estêvão. Inclusivamente, os rapazes têm permissão para, durante os dois dias de festa, fumarem os cigarros que lhes apetecer.

Todos os anos, é escolhido alguém da localidade para protagonizar a figura do rei, que tem a seu cargo a organização da festa e que traz consigo uma coroa revestida a veludo e adornada de objectos em ouro - avaliado em cerca de 15 mil euros - emprestados pelos habitantes, como símbolo de riqueza e poder.

Tal como manda a tradição, a festa durou dois dias. Na noite de anteontem, Vítor Vidinha - o rei - percorreu todas as habitações da aldeia, sempre com o grupo de gaiteiros a acompanhar, distribuindo cerca de 300 quilos de tremoços e 100 litros de vinho, em cabaças tradicionais.

O rei não escondia a satisfação em ser o protagonista desta festa, confessando que \"é uma alegria enorme sentir que continuo a contribuir para que esta bonita tradição não acabe e verificar que as pessoas da nossa terra também colaboram para preservar um evento que já faz parte da nossa identidade cultural.\"

Entretanto, no centro da aldeia, prepara-se o baile e, quando o rei chega, as pessoas são convidadas a dançar a murinheira, típica dos celtas, ao som das gaitas de foles e dos bombos..

Também nessa noite, dezenas de crianças andaram pela rua com maços de tabaco, comprados pelos familiares, e têm permissão dos próprios pais para fumar, \"mas só durante dois dias, porque a tradição não pode morrer, mas, depois, até damos conselhos para que não fiquem com o vício\", faz questão de referir Rosa de Jesus, habitante de Vale de Salgueiro e avó do pequeno Eduardo Hermenegildo, de apenas cinco anos de idade, que se deliciava a devorar os cigarros.

No segundo dia, ontem, a alvorada aconteceu às sete da manhã. O rei, ao som das gaitas de foles e dos bombos, voltou a percorrer toda a aldeia para receber a \"manda\", ou seja, os donativos para custear os cerca de 2 mil euros de despesa que a festa tem.

O que de facto pode valer uma tradição ?

Serginho

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Os Amigos !

È normal dizer que é na cadeia e no Hospital que se conhecem os amigos .

Tinha 23 chamadas não atendidas no meu telemóvel.

Apenas 3 pessoas gastaram o seu dinheiro para deixar uma mensagem.

Uma amiga de muito longe( principeza ), que me consegue emocionar , fiquei surpreso, mas os verdadeiros amigos são assim mesmo.

O João Paulo que deixou uma mensagem que não resisto a transcrever:

Não atendes a merda do telefone, estou preocupado , só te vou perdoar se me ligares a dizer que foste para o Brasil ou que estas fechado em casa com a Soraia Chaves.

A minha filha : Pai por favor liga-me !

Dois destes receberam um telefonema meu, a minha filha recebeu a minha visita na escola o que me valeu um abraço, os restantes tiveram a sorte de eu ja ter o telefone ligado e por isso fui atendendo as chamadas .

Que bom , não estou sozinho !!

A Psicologia funciona

Passei os portões, já passava das 22.30hrs, estacionei o carro, avancei para a porta e só parei junto a um pequeno balcão onde fui simpaticamente recebido com um :

- Boa Noite, em que posso ajudar ?

-Quero falar com um medico ………

A simpática só não disse … este gajo deve ser louco, pois estávamos num hospital psiquiátrico.

Em poucos minutos fui respondendo a perguntas simples sobre a minha identidade , como não estava louco varias das informações que dei foram falsas, mais tarde confessei este pecado á Dra. que me atendeu ou me aturou a paranóia que se apoderou da minha pessoa naquela noite gelada.

Fiquei sozinho por largos minutos numa sala confortável, recheada de livros e confortáveis sofás sobre uma temperatura ambiente agradável , confesso que procurei no tecto e nas paredes a possível existência de uma cam de filmar pois senti que aquele isolamento era já parte do diagnostico.

Entrou uma Senhora, hoje consigo dizer que a sua idade deve rondar os 30 anos, não tinha a habitual bata medica, e de forma cordial cumprimentou-me com um Olá tudo bem ? e um sorriso bonito e confiante .

Dra 1 – Paciente 0

Aqui na ficha diz que você quer falar com um medico… pode começar

Não vos vou narrar o que falei durante horas pois corria o risco de perder os “clientes” deste blogge logo no seu primeiro post, mas falei bastante, escutei o suficiente, chorei muito, e sorri varias vezes, talvez por ser um quarentão os meus desabafos tiveram o seu inicio no casamento falhado, na frustração de ter falhado em algo em que tanto apostei , passeamos pela separação e divorcio, a filha a frustração de um pai que nunca tem direito á custodia da filha, os valores incríveis que os tribunais aplicam como pensão de alimentos, etc,etc.

-Desculpe, mas sinto que esta a dar palha ao burro

- Não entendi

- Se quer falar sobre seu problema pode falar , tenho toda a noite para o escutar, mas não me de palha pois já jantei e bastante bem .

Fiquei gelado e em silencio , fiquei mesmo furioso, ela pegou num livro, abriu o mesmo e começou a ler ou a fazer que lia e ….

-Assim que quiser falar diga, eu vou lendo o meu livro, é uma historia fascinante.

Dra 2 – Paciente 0

Abri o “livro” falei de tudo, da minha mãe dominadora, do meu pai resignado, dos meus super avos quase centenários da minha filha que amo perdidamente, das paixões que existiram e ainda existem e que não deviam existir , da solidão, das muitas folhas de papel que escrevo com momentos que vejo no meu quotidiano, das conversas com as paredes frias de minha casa que teimam em não responder, falei dos vizinhos e dos que estão no outro lado do atlântico ,falei horas, ela por momentos picava-me obrigando-me a recuar , fez-me chorar, passear pela sala, ameaçar que me ia embora , tudo isto levou horas, eu estava exausto , não sei se o cha servido a meio tinha algo , mas de facto eu estava exausto de tanto falar, chorar, revoltar-me, mas sentia-me bem. Estava mais leve, mais puro, mais vazio.

Aceitei pernoitar no hospital com a condição de ninguém da minha família ou amigos serem avisados, condição aceite ! Dormi bem ,mesmo muito bem, fui acordado por uma enfermeira que me alertou para o pequeno-almoço ela tinha um decote que me fez pensar que estava no paraíso, só depois cai na realidade.

Passei na biblioteca do hospital, li os jornais e iniciei um livro que não me recordo o titulo pois sabia que não o iria terminar, foi esta a minha rotina , o cardápio não era o melhor, mas suficiente e bem melhor que aquele que eu próprio preparo em casa para o meu jantar.

Voltei a conversar com a Dra. Os mesmos assuntos, mas de forma menos emotiva e muito mais racional. perguntou-me se eu me sentia bem para ir para casa, respondi que sim, em troca prometi não escrever tanto em papel, prometi não dar atenção a pequenas coisas que me dizem ou que vejo no meu dia a dia e prometi que iria colocar no sitio as fotos que antes tinha retirado e guardado numa caixa.

Escrevo estas palavras no computador, não escrevi lamentos em folhas de papel, as fotos estão nos sítios ate fui ao shopping fazer uns prints para colocar ou re-colocar duas fotos no frigorifico .

Estou contente comigo mesmo por ter tomado a opção de ter passado aqueles portões, não deixei de estar magoado com quem estava antes, não deixei de gostar de quem gostava antes, mas sinto-me mais leve e consigo sorrir.

Dra 2 – Paciente 3

Eu sei que ela não ficou chateada com este resultado, pois ganhei muito mais que ela .