Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram,
Quando por dentro eu sei que choram.
.......

Mesmo que chova no Verão,
Queres dizer " Sim " mas dizes " Não "
.......

Vamos fazer o que ainda não foi feito







quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ilumina-me


Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Poema de Pedro Abrunhosa

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal ,,,,,


Guardo do Natal excelentes recordações recuando no tempo consigo chegar a uma idade que não sei qual é mas eu sentia que algo de estranho se passava com os presentes, não sabia se era o menino Jesus que os trazia ou o Pai Natal e desconfiava de algumas atitudes dos meus pais durante esta quadra, era um viver enganado mas feliz, não existia a publicidade dos dias de hoje nem os shoppings, tal como a minha inocência tudo era mais puro e menos supérfluo.
Mais que os presentes que recebia recordo com saudade a ansiedade que sentia durante o dia 24, pouco comia ou jantar e nem os variados doces que a minha avó sempre enchia a mesa eram bom argumento para eu relaxar, depois os adultos ficavam a conversar ate que a meia-noite se aproximava e havia um nervoso miudinho no ar , eu estava impedido de ir á cozinha pois o Pai Natal podia chegar a qualquer momento mas os adultos faziam varias viagens á dita cozinha , ate que …… sem eu dar pela falta de um adulto na sala se ouvia um barulho enorme que mais tarde vim a saber que era provocado pela queda de tachos e panelas e eu era autorizado a correr para a cozinha e como ficava "bêbado" de alegria nem pensava que afinal o Pai Natal ou o menino Jesus tinham deixado também presentes para os adultos.
Adormecia tarde e sempre com o presente eleito perto de mim e o dia 25 iniciava cedo pois mais convidados já chegavam para almoçar e jantar e eu estupidamente mostrava os presentes recebidos e dizia que tinha sido o Pai Natal .
Tentei transmitir este espírito com o nascimento da minha filha , o Natal coordenado pela minha mãe mantinha e mantém todas as tradições mas como os tempos são outros a minha filha teve o privilegio de poder ver o Pai Natal que entrou em casa educadamente e sem fazer barulho, pousou o saco dos presentes e partiu sem dizer uma palavra pois estava com muita pressa, tal como eu a minha filha não dava pela falta de alguém na sala naquele momento mas depois soube-me dizer timidamente “ Pai o Pai Natal tinha uma pulseira igual ao tio Andre “
È este o encanto do Natal , as crianças a magia que guardo com saudade.
Este ano haverá outra criança em casa para sentir este espírito de Natal , infelizmente eu gostaria que fossem duas mas situações que não consigo nem posso contornar impedem que o meu Natal seja mais completo, mas nesta noite existe sempre um momento em que elevo os meus pensamentos para aqueles que estimo , amo e não estão presentes por diferentes razões, alguns dos quais sei que nunca mais os voltarei a ver e outros sei que irei abraçar, pois acredito que tambem estou no pensamento deles.
Se não estou.....
Não faz mal vivo na ilusao e magia do Natal

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O que dizem os teus olhos ?


Um jornalista português ficou famoso pelas suas longas entrevistas a personalidades em que a ultima pergunta era sempre " O que dizem os seus olhos ? "
Uma pergunta curiosa de múltiplas respostas mas que levava o inquirido a um exercício mental que o fazia dizer de forma mais ou menos transparente o que lhe ia na alma.
A mim nunca ninguém me perguntou o que dizem os meus olhos, mas já me fizeram perguntas difíceis, perguntas estranhas, perguntas descontextualizadas, mas a todas soube dar resposta e respondi de forma honesta e de alma aberta.
As respostas para mim não são um exercício metafórico, nem de sim ou não , uma resposta a uma boa pergunta é um exercício de transporte do que sinto do que penso numa interligação verbal com quem me questionou, uma resposta não pode ser algo para ser usado contra nós pois a vida não é um inquérito policial para apurar culpados ou inocentes.
O que eu digo esta nos meus olhos, nas minhas atitudes nos pequenos detalhes que vou tendo e são sabiamente acessíveis de entendimento por todos que me conhecem me consideram amigo e sem medos discutem sentimentos, desejos, frustrações , vontades , enganos e desenganos.
Os meus olhos dizem que amo , dizem que sou como um menino pequenino que necessita de entender tudo muito bem e que por vezes quase necessito de um desenho para entender as coisas, os meus olhos dizem que fico dorido dos pés á cabeça quando me colocam de castigo no canto da sala, os meus olhos dizem o que sempre disseram, dizem o que sinto.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


Ao contrario de muita gente não me custa sentir que Portugal tenha perdido alguma da sua soberania, apesar de sentir que a nossa historia não merecia este capitulo em que somos invadidos pelo poder do dinheiro por quem em tempos tentou sem sucesso nos invadir pelo poder das armas.
Somos bons guerreiros bons estrategas mas somos maus financeiros.
Em tudo isto e ao olhar para um Portugal deprimido e onde já existe gente a passar fome e vários casos de pobreza envergonhada que nos obriga a todos a olhar mais atentamente para os lados iniciei uma cruzada junto de alguns amigos no sentido de neste natal sermos mais solidários, confesso que a ideia não é minha resulta de algo que li e que foi feito por uma pequena comunidade da Andaluzia Espanhola em que se reduza em 50% o valor dos presentes de natal mantendo o negocio dos comerciantes e o restante valor orçamentado para um possível presente seja usado em alimentos e doados a uma instituição necessitada .
De inicio senti que estava um pouco a pregar no deserto mas curiosamente aos poucos fui sendo questionado por amigos sobre a minha opinião sobre dar uma doação á instituição A ou B o que me deixou muito feliz .
Isto vem provar que de facto somos um povo solidário, deprimidos, rancorosos , submissos mas talvez os mais solidários desta Europa desunida e dominada por aqueles que num passado recente só se levantaram de um pós-guerra com a nossa ajuda mas infelizmente de memoria muito curta.
Pela minha parte a instituição escolhida foi o Banco Alimentar contra a fome.
E já agora , como alguém disse um dia , Natal é quando um homem quer !