Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram,
Quando por dentro eu sei que choram.
.......

Mesmo que chova no Verão,
Queres dizer " Sim " mas dizes " Não "
.......

Vamos fazer o que ainda não foi feito







quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viver no silêncio


"Há sempre, nas mais sinceras confissões das mulheres, um cantinho de silêncio." (Paul Bourget)

Silêncio, nostalgia...
Hora morta, desfolhada,
sem dor, sem alegria,
pelo tempo abandonada.

Luz de Outono, fria, fria...
Hora inútil e sombria
de abandono.
Não sei se é tédio, sono,
silêncio ou nostalgia.

Interminável dia
de indizíveis cansaços,
de funda melancolia.
Sem rumo para os meus passos,
para que servem meus braços,
nesta hora fria, fria?

Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não te escuto ... não te vejo ... não te sinto...


Não te escuto , não te vejo não te sinto
Um vazio enorme , como cair num poço onde não encontramos o seu final, onde estamos sempre á espera que exista uma corda que nos segure e puxe para cima de novo ou que chegue o momento em que batemos violentamente no fundo ficando decepados dos sentimentos , dos orgulhos das saudades.
Estou nesta queda vertiginosa á algum tempo onde a vontade de ser tolerante e paciente se misturam com a ganância de dizer basta porque eu também sou gente, porque por aqui também passa sangue quente e lágrimas salgadas.
Desenho mapas mundo falsificados onde coloco o meu continente bem junto do teu onde posiciono a tua cidade mais no litoral no sentido de te escutar, de te ver de te sentir.
Questiono-me se ainda sabes sorrir será que o teu sorriso e a tua voz já não são algo para partilhar , sinto e temo que as tuas razões já são mais fortes que outros valores que são mais do que formas de estar e se transformam em estilos de vida traçados sem consulta.
Não te escuto , não te vejo não te sinto

domingo, 18 de outubro de 2009

No Caminho de Santiago


Finalmente encontrei a coragem e motivação para dar inicio a um projecto de algum tempo, um projecto que podia e devia ser feito a dois por diversas razões, mas diversas razões também , levam que seja iniciado sozinho.
O Objectivo é fazer o caminho de Santiago desde a cidade do Porto ate a cidade Espanhola de Santiago de Compostela, uma distancia de cerca de 160 km a ser percorridos a pé e em varias etapas sem data de terminar .
A primeira fase esta concluída, numa caminhada iniciada á saída da cidade do Porto, por caminhos sempre fora das estradas e devidamente assinalados de forma que não existam enganos, a primeira dormida foi num albergue de peregrinos onde se dorme em camaratas comunitárias e o preço é o que cada um quer pagar, durante os primeiros quilómetros encontrei bastante gente a fazer o mesmo, pessoas que voltei a encontrar mais tarde no albergue onde todos dormem.
Hoje caminhei bem menos que ontem pois os pés acusaram algum cansaço o que serviu de exemplo para as proximas etapas.
A ideia é fazer aos poucos e com regresso a casa ate sensivelmente meio do caminho e depois bem equipado fazer em 5 ou 6 dias de ferias o percurso final ate Santiago.
Caminhar sozinho alem de nos permitir olhar toda a beleza que nos rodeia permite tambem elevar os pensamentos e ter monologos que nos limpam a alma.
Não fui com o objectivo de decidir para que lado da ponte irei no futuro, mas estes dois dias de caminhada isolado , fizeram-me pensar bastante sobre a ponte onde me encontro.
Sei que a ponte não caiu , sei que estou solidamente em cima duma ponte construída com esforço e que tudo farei para a manter bem solida, estou muito mais perto duma das margens , daquela onde quero chegar por ser a que eu sempre quis, foi esta a grande conclusão dos meus monólogos, apesar de temer que este meu egocentrismo esteja ou possa criar desconforto a terceiros.
Para terminar um agradecimento á Cristina que teve a simpatia de me levar ao ponto de partida e de me ir buscar e trazer de regresso a casa sedento de um bom banho.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Parte 2


E agora ? O que me resta ?

Manter tudo na mesma seria quase um exercício masoquista , mudar algumas das situações e manter outras será certamente uma boa possibilidade , mas quais a manter e quais a mudar ?
Profissionalmente , já pouco tenho a fazer , agora é deixar andar o barco e esperar que o vento seja de feição e me empurre por bons mares navegáveis , com os filhos a frustração é a mesma , já nada posso fazer para alterar o rumo das coisas, agora é gerir as situações da forma menos dolorosa , com a família talvez a solução é ser hipócrita e entrar no jogo , dar e receber as cartas e jogar um poker em sorrisos de família unida em torno de quem ainda manda , nas amizades e no amor as coisas são mais complicadas ate porque existe o perigo de se poderem misturar, mas estou frustrado, desanimado , desapontado mesmo, continuarei a receber a solidariedade de duas pessoas e resta-me a expectativa de saber para que lado vai cair aquela em que eu mais confio e por isso mesmo mais me tem desapontado na forma de gerir a amizade no conceito que eu entendo que deve ter. No amor , provavelmente chega de esperar por uma boca com sabor que teima em querer me colocar em forma pouco credível talvez seja altura de procurar uma boca que me beije sem pensar ou analisar se o carinho colocado é de quem viveu de forma celibatária mesmo ou não , talvez chegue de masturbações físicas e mentais , talvez seja momento de recuar vários anos e sentir o sabor de transar em detrimento de fazer amor, talvez tenha chegado o momento para tudo isto , para deixar as pontes caírem pois nem todos as querem segurar, talvez , talvez , talvez ……
O tempo dirá se terei a coragem para ir contra os meus princípios , não abandono nunca quem eu estimo e admiro, mas não gosto nem nunca gostei de meninos que pelo facto de serem os donos da bola se lhes dá o direito de me colocarem e tirarem do team, posso não ser o melhor dos jogadores, mas sou certamente um jogador dedicado que não consegue estar no campo de jogo sem saber o lugar que ocupa pois vai variando sem aviso, pois já nem existem regras ou mandamentos.
O tempo dirá se terei a coragem para ir contra os meus princípios…….
O tempo dirá se terei a coragem para ir contra os meus princípios……..
O tempo dirá se terei a coragem para ir contra os meus princípios……….

(maybe ) I would like to be a different man . Parte 1


Depois de uma semana de ferias em que nada fiz que não fosse arrumar papeis, livros CD’s de musica e principalmente as ideias , cheguei á conclusão que escrevendo em varias línguas mas sempre com o mesmo significado , eu (TALVEZ ) queira ser diferente !

Durante os últimos anos por opção fui o que se pode chamar de um “ certinho “ ou seja fui vocacionado para os outros , uma dedicação total aos filhos mesmo que num dos casos tal tenha tido impedimentos de varia ordem e no outro tive que quebrar barreiras complicadas de uma filha em idade difícil que finalmente atinge a sua maturidade e dá fortes indícios de entender um pouco mais das realidades desta vida.
Profissionalmente mantive uma dedicação enorme a tudo que fazia e na motivação aos outros para um bom desempenho profissional , fui criando laços de camaradagem com todos os colegas subalternos fazendo com que o trabalho fosse quase uma reunião de família.
Com a família fui fazendo um esforço enorme para não quebrar laços que penso devem ser permanentemente mantidos mesmo que para isso tivesse que engolir manadas de elefantes e sapos vindos de charcos contaminados.
No amor , algo que sempre acreditei e tive como luz de farol para me orientar a vida , dei o que podia dentro das limitações impostas por factores diversos, travei batalhas contra um “ inimigo “ que por vezes senti que não existia, fui mais D. Quixote que D.Juan .
Nas amizades , fui sempre muito restrito, conhecidos tenho muitos , mas amigos são menos que os dedos de uma mão, perdi aquele com quem tinha mais afinidade , aquele que gostava de conversar comigo todos os dias , aquele que se preocupava comigo e sabia pela forma de falar se eu estava bem ou mal e que puxava por mim para uma conversa que sempre ajudava , este jogo funcionava nos dois sentidos , era o que se chama de amizade, senti e sinto a falta dele pois mais ninguém tem a coragem ou ousadia de se entregar numa amizade sincera comigo .
Sou muito técnico , talvez em demasia até , com demasiada atenção aos detalhes aos sinais que chegam e que envio, com isso penso em demasia nas coisas , foi uma das conclusões que tirei de uma semana de estudos arqueológicos nos meus armários de casa onde fui encontrar escritos , fotos e outras recordações do passado recente .
Sentado no chão com papeis á minha volta fui analisando o meu passado recente em cada um dos items e a conclusão foi desastrosa eu quase diria que foi uma catástrofe onde perdi todas as batalhas .

A dedicação aos filhos foi uma frustração , um deles perdi talvez por um acto de covardia ou talvez por um acto de coragem que só o tempo será capaz de dizer, o outro talvez ainda venha a tempo de entender que podia e devia ter tido um melhor entendimento das necessidades do pai, espero sinceramente que assim seja pois ainda vou a tempo de ser feliz.
Profissionalmente foram dias e dias de trabalho árduo no sentido de encontrar balões de oxigénio para manter uma equipa de trabalho que foi recebendo facadas de pessoas que apenas olham o lucro, foi uma dura guerra em que fui ganhando batalhas mas acabei derrotado e aquela que era como uma segunda família ficou mutilada sem que eu nada mais pudesse fazer , foram quase dois anos de longas batalhas de projectos de viabilização no sentido de nos mantermos todos unidos, seguros em bóias que eu ia fazendo para evitar o naufrágio que acabou por acontecer de forma inglória.
Com a família , pouco ou nada mudou , nem podia mudar , aqui as diferenças são enormes, talvez o facto de ainda jovem ter tido a possibilidade de viver em locais mais desenvolvidos e ter ganho uma experiência de vida fizeram com que o conceito de família liderada por alguém não fosse de encontro aos meus ideais, curiosamente salvou-se em tudo isto aquela que me atraiçoou de forma menos digna , mas que com o tempo soube me dar sinais de solidariedade e ate amizade num contexto onde a palavra amor já não existia.
No amor , tive a felicidade de poder voltar a amar alguém, de saber o que é a palavra saudade , de saber o valor das pequenas coisas dos pequenos detalhes , embora sempre salpicado de atritos num dialogo quase mudo entre duas pessoas que sentem amor. Uma paixão não se apaga da nossa vida , vivi poucas paixões mas em todas coloquei o máximo possível dentro das características de cada uma dessas mesmas paixões aos três “ M “ da minha vida sempre lhes disse olhos nos olhos o que sentia , nenhuma me pode acusar de não ter ouvido da minha boca olhos nos olhos a palavra AMO-TE e de ter recebido carinho e respeito , podem me acusar de muita coisa , mas nunca da minha sinceridade na dedicação e no sentimento da palavra AMO-TE .
Perdida a grande amizade , não fui á procura de alguém para substituir aquilo que não pode ser substituído , amizade é algo que sai de dentro de nós próprios é algo espontâneo, é algo que esta na fronteira do amor , amizade é dar e receber sem medo, é dizer o que sentimos é chorar e rir com o outro , é ouvir palavras duras e palavras de conforto , é saber que podemos contar sempre com alguém e nunca fechar essa porta ou deixar a mesma meia aberta , como me dizia uma amiga distante á poucos dias , com os amigos fazemos amor com a conversa , uma observação curiosa e real , onde não ter medo de questionar e de responder é uma partilha de pequenos orgasmos que nos fazem bem á mente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Abraço


Tantas e tantas vezes sentimos que somos atraiçoados, seja por colegas , familiares ou simples estranhos,mas por vezes somos atraiçoados pelo nosso próprio corpo e mente .
Somos assaltados e violentados por algo que se instala em nós que teimosamente se fixa sem querer sair, ficamos com uma vontade enorme de nos desligar do mundo, como se isso fosse a solução para resolver e pagar estas marcas de dor , de saudade , de incapacidade para resolver os problemas .
Tantas vezes temos a consciência que tudo que fizemos foi bem feito ou no mínimo não foi mal feito e depois algo nos cai em cima que nos deixa presos por um fio num precipício para o qual nada fizemos para sermos empurrados.
Nestes momentos só pretendemos silencio á nossa volta, só pretendemos que ninguém nos pergunte o que temos, pois queremos que em silencio o nosso mal se afaste, tentamos encontrar respostas a tantas perguntas e nunca encontramos uma linha lógica.
Pensamos que somos os únicos a ter este problema , ficamos impotentes ao não conseguir gerir o corpo e a mente e temos receio de procurar ajuda, pensamos sempre que somos mais fortes do que aquilo que na realidade somos, perdemos lágrimas que nos caem pela cara sem as podermos controlar.
Os amigos atentos , ficam preocupados , e tentam ajudar numa luta inglória , resta-lhes o facto de dizerem presente e de " sofrerem " em silencio como que espreitando em esquinas na procura de um sinal que lhes diga que as coisas estão a melhorar .
Eu estarei atento , tenho saudades de um bom sorriso, mas estou certo que não estou sozinho, estou certo que muita gente tem saudades das tuas palavras e do teu sorriso e por isso deixo aqui o meu abraço e que rapidamente possa contar contigo para uma boa conversa e para te ver sorrir.
Volta rápido !!
E agora guarda este abraço !

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Amália


Hoje que passam 10 anos da sua morte, deixo uma pequena homenagem a uma mulher estranha e com uma voz única no mundo .
Alguns dizem que foi uma diva , eu diria que aprendi a gostar e a olhar para Amália pela mão de alguém que aprendi a olhar como uma diva .
Ontem á tarde o telefone tocou pouco passava das 18.00hrs , era um convite para ir a uma homenagem a Amália, hesitei bastante, senti que não seria justo ir a uma homenagem a Amália sem ser na companhia de quem me ensinou a admirar e escutar Amália de forma diferente.
Acabei por aceitar, por vários momentos senti-me a subir as escadas de casa de Amália observando aquele imponente quadro com o seu retrato.
Mais que uma homenagem a Amália....
Estive a recordar uma outra diva.....

sábado, 3 de outubro de 2009

Qual o lugar ???


Qual será o meu lugar ?

Como tanta coisa , é chegado o momento de atirar fora , quem sabe no sentido de ser reciclado e aproveitado de novo mais tarde .

De todas as opções , só quero saber em qual dos baldes FUI colocado ?