
Noite de sábado é noite da serenata, o largo da Cordoaria ficou coberto de milhares de capas negras e de “civis “ como eu que escutaram a serenata cantada dos degraus da antiga cadeia da relação, um espectáculo único de emoções onde predomina o negro ou não fosse o negro a cor do fado.
Tudo escutado em silencio e sem palmas no final de casa actuação como manda a tradição académica, a emoção que leva as lágrimas deles e delas que terminam os seus cursos e já sentem saudades desta cidade
Sentes que um tempo acabou
Primavera de flor adormecida,
Qualquer coisa que não volta que voou,
Que foi um rio, um ar, na tua vida.
…..
Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p'rá vida.
Fiquei perdido na multidão sabendo que a minha filha estaria algures encontrei a mãe dela e recordamos serenatas de outros tempos, em grupo de amigos como estudantes mas sem capa batina rumamos aos bares da baixa, subimos e descemos ruas ate sentir o orvalho e os primeiros raios de Sol as conversas iam todos desaguar á nostalgia da partida á vida desta semana louca que marca quem pisa as universidades os colegas já perdidos os que a vida lhes deu fama ou que se perderam ao longo dos anos .
Não somos desta geração a chamada geração “ á rasca “ mas sentimos as mesmas dificuldades e as mesmas saudades só que o nosso corpo já se recente de uma noite longa mas ainda existem forças para um café matinal mais intimista com alguns abraços e perguntas indiscretas sobre um passado que nos marcou, comentados os erros cometidos abordadas as hipóteses de rever o passado, colocadas questões se estamos a falar a serio ou se estamos demasiado cansados e envolvidos na nostalgia da serenata ou se ainda existem em nosso sangue restos de cerveja digerida em copos altos.
È a serenata é a Queima das fitas é a semana de todas as emoções .

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