
Meu Portugal ,
Não é fácil escrever esta carta neste momento que estas numa agonia e que arrastas contigo os teus filhos que sempre tentaram dignificar o teu nome.
Nos últimos anos não resististe á vida fácil, foste criticando os teus filhos que tinham comportamentos menos dignos mas não conseguiste ser exemplo para eles , nas costas de todos foste te deixando envolver no mundo da corrupção e do compadrio apontando a culpa para uma crise que tu não soubeste gerir por estares demasiadamente viciada em maus hábitos.
Na tua casa que orgulhosamente chamas de parlamento permitiste que fosse habitada por gente que apenas olhou aos seus interesses pessoais, gentinha marginal nos seus pensamentos e actos mas que berravam nas janelas que representavam os teus filhos, foi com a ajuda dessa gentinha e com aquele homem que ao longo dos anos foi enganando os teus filhos numa caminhada sem vergonha que chegaste a este declínio onde as tuas irmãs sempre fieis como a Alemanha e a França te olham de forma desconfiada mas sempre prontas a te extorquir juros aos teus pedidos de sustento.
Tomei conhecimento que ate aquela irmã que tanto desprezaste ao longo dos anos pelo facto de ela estar do outro lado do mundo, foste pedir ajuda, pena foi que nestes últimos anos não tenhas olhado para essa tua irmã desprezada para aprenderes como ela sobreviveu e lutou pela vida, sim eu sei que essa tua irmã viveu anos e anos numa desgraça igual á que tu vives hoje e sabemos que ainda não se curou dessa doença mas soube ter a humildade de a assumir e lutar contra o vicio que a destruiu durante anos e anos para hoje apesar de não vestir roupas de luxo se mostrar aos outros de cara lavada e levantada, coisa que tu já não consegues.
Ainda te lembras quando em 1974 os teus filhos souberam dizer um basta aquele que foi teu amante durante quase 50 anos ?
Os teus filhos fizeram isso com o risco das suas próprias vidas para te tirar das mãos de um tirano que explorava e abusava dos teus filhos e que bem que me lembro da forma como tu ficaste agradecida e foste reconhecida pela tua bravura por quase todas as tuas irmãs, e agora que os teus filhos cresceram souberam o que é a liberdade, tu numa atitude rameira deixas-te cair o teu nome na mais promíscua das vidas.
Eu que também sou teu filho , não te virarei as costas , mas chegou o momento de te dizer que já chega de te envolveres com gentinha medíocre, já tens séculos de vida e por isso uma historia digna que te persegue e como tal neste momento só teço a ti pátria mãe que tenhas dignidade e olhes para os teus filhos.

1 comentário:
para contextualizar a situação político-econômica, faz a crítica ao país/pátria através da personalização - ora no lugar de pai, ora de mãe - o filho toma lugar do educador, do orientador que, frente ao mundo político-geográfico faz do mundo uma grande família onde fluem sentimentos humanos. Tão curioso esse texto...
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