Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram,
Quando por dentro eu sei que choram.
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Mesmo que chova no Verão,
Queres dizer " Sim " mas dizes " Não "
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Vamos fazer o que ainda não foi feito







domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma noite diferente...


O convite partiu da minha filha, numa acção da sua universidade duas vezes por mês as noites de sábado são ocupadas a distribuir conforto aos sem abrigo da cidade.
Hesitei pois por norma envolvo-me emocionalmente com quase todas as situações, mas meter a cabeça na areia não seria por certo a melhor solução.
Compareci as 23.30hrs no local combinado e constatei que a carrinha deles já estava totalmente preparada, alem de alguns cobertores e peças de roupa varias taças de plástico com uma sopa quente vários pacotes de leite, pão com marmelada e acima de tudo uma forte vontade de ajudar.
A noite esta fria, muito fria mesmo e fomos em direcção aos locais onde habitualmente se encontram estes desafortunados da vida, o uso de luvas de látex é obrigatório e é recomendado que não se façam muitas perguntas, a iniciativa da conversa deve partir dos que recebem ajuda e não dos que a estão a prestar.
Fomos acompanhados de um elemento feminino da policia que alem de ter a função de nos proteger de qualquer situação menos agradável tem a função de ir monitorizando os sem abrigo existentes, verificando se falta algum num determinado local ou tentando conhecer os novos inquilinos das ruas da cidade.
Em determinado momento ela desabafou dizendo que cada vez são mais e que teme que o numero venha a crescer cada vez mais e que pela primeira vez em alguns anos neste serviço já começa a ver muitas mulheres num " mundo " que era quase exclusivo dos homens.
Foi uma noite diferente, já passava das 02.00 quando terminamos e o destino foi um daqueles restaurantes abertos toda a noite, fiquei com a ideia de um grande contraste ao terminar a noite daquela forma e talvez tenha demonstrado isso mesmo pois alguém pôs a mão no meu ombro e disse: Não nos podemos envolver com as situações temos que seguir a nossa vida com a consciência que fizemos um pouco da nossa obrigação.
Avançamos para umas cervejas e francesinhas regressei a casa e dei voltas e voltas na cama , acabei por me levantar pois tinha cada um daqueles rostos marcados pela vida a passar pela minha cabeça.
Já é manha alta e ainda não dormi, mas dentro de 15 dias quero ir de novo ! !

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