Já se passaram muitos anos em que o vi entrar na sala de pequeno almoço de um hotel onde eu me encontrava, e logo me impressionou pelo seu porte e postura física, no entanto fiquei negativamente surpreendido pela rispidez com que falou com um dos empregados sem qualquer razão aparente.
Chegado à mesa escolhida foi a vez de me surpreender positivamente pela forma carinhosa como preparou a cadeira para sua mulher se sentar, ela bem mais jovem do que ele de nome Pilar veio mais tarde a proporcionar-me um dos meus maiores prazeres.
Curiosamente foi por uma amiga especial que fui ganhando curiosidade nesta figura controversa tanto nos ideais como na forma de escrever a quem dei a noticia da morte de J saramago dizendo que o mundo ficava mais pobre, hoje confesso que foram varias as tentativas de ler algo de José Saramago, mas foram isso mesmo apenas tentativas pois nunca consegui ir muito alem das primeiras paginas e por isso não conheci muitas das suas ricas personagens não privei com Sete Luas e Sete Sois, nem com alguém do Cerco de Lisboa que dizem ser parecido comigo.
Recentemente numa livraria cruzei-me com Pilar e ganhei a coragem de lhe pedir um favor que ela amavelmente anuiu, e nos poucos mais de cinco minutos que falamos retenho algo que ela disse sobre o marido. " Temos que o poupar "
José Saramago bem recentemente disse que o que ainda o agarrava à vida era um pilar numa alusão perfeita ao nome de sua mulher.
Este post mais que uma homenagem ao escritor é um agradecimento à Pilar pela disponibilidade que demonstrou perante o meu pedido e a José Saramago por me ter proporcionado um prazer do coração.
E agora ... Temos que nos poupar... pois ainda vamos a tempo de desfrutar de tudo de bom que ele nos deixou.

1 comentário:
A primeira (e única) vez que eu o vi e ouvi, foi em SP, em outubro de 2004. Entendi pouco do que ele falava, por causa do sotaque, mas tinha doçura e energia na voz. De lá pra cá, nunca me desapaixonei.
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