Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram,
Quando por dentro eu sei que choram.
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Mesmo que chova no Verão,
Queres dizer " Sim " mas dizes " Não "
.......

Vamos fazer o que ainda não foi feito







terça-feira, 10 de novembro de 2009

11 / 11 / 1963 ** Trilogia de 46 anos de vida


Trilogia da minha vida ,

A vida que eu tenho a que eu gostaria de ter e aquela que os outros insistem que tenho ou devia ter .

Fiz toda a instrução primaria num colégio particular de cariz religioso que me marcou negativamente que foi compensada positivamente pela possibilidade de já com a maioridade ter viajado para Inglaterra para tirar um curso superior e mais tarde para Espanha onde em ambos os locais acabei por viver excelentes momentos de vida.
Provavelmente nunca devia ter voltado a Portugal , mas acabei por o fazer e iniciei uma etapa de vida com um casamento e mais tarde com o nascimento de uma filha.
Foram vários anos de uma vida familiar como sempre pensei que podia e devia ser , ate a um momento onde o baralho de cartas cai sem eu entender muito bem as razões.
Dou inicio a um período de vida novo , com o meu ego ferido , saio para a selva como um animal ferido que vai de encontro a tudo que mexe, faço asneiras e mais asneiras ate entender que devo parar pois não era aquele o estilo de vida que pretendia.
Com o ego tratado , as tecnologias levam-me de encontro a uma das pessoas mais fantásticas que conheci, infelizmente são vários os condicionalismos que me impedem de mostrar tudo que tenho para dar , mas tento aos poucos dar o máximo possível de mim, pelo caminho tenho um percalço que ainda hoje não encontro explicações e sou pai de novo, numa situação que em nada me orgulho excluindo logicamente o filho que nasceu e que assumi com orgulho e dedicação .
No momento em que eu pensava que podia criar novos horizontes de vida tudo me cai em cima, a família quase entra em pânico com o aparecimento de um novo membro que causa impacto por ser fora duma relação dita normal e por uma filha que inicia um processo de manipulação do pai movida por ciúmes e pressões externas , tudo isto aliado ao terror de eu poder fazer as malas e atravessar o Atlântico para junto de quem eu sempre sonhei .
Hoje faço 46 anos , e perdi quase tudo , a filha ganhou alguma maturidade mesmo não aceitando detalhes importantes para mim , o filho foi viver para longe , a família lança foguetes por isso e pelo facto de eu não ter conseguido reunir as condições que me levassem ao outro lado do Atlântico onde nunca consegui entender muito bem se era esperado ou não.

Esta é a vida que tenho , a que gostaria de ter era algo mais pacifico onde me fosse possível dar amor e carinho e receber o mesmo em troca com sotaque de um português falado com açúcar , ter o entendimento e apoio dos que me rodeiam de forma que fosse possível a felicidade de todos.
Hoje faço 46 anos e não tenho a vida que quero, não tenho os filhos não tenho a família pois ficaram marcas que são difíceis de apagar e não tenho a pessoa que amo.
Gostaria de estar aqui ou do outro lado do Atlântico pousando o ombro , ouvindo musica e lendo livros a dois ter o apoio da filha e da família e continuar acompanhar o crescimento do filho , construir algo de novo, construir a família possível , dar aquilo que sempre gostei de dar , carinho, atenção e cuidar.

Esta é a vida que eu gostaria de ter e não tenho e para fechar esta trilogia nada melhor que aquela vida que alguns gostariam que eu tivesse e outros querem teimosamente que seja a minha vida para se poderem libertar de falsos fantasmas.

Para alguns o ideal seria mesmo eu ainda ser casado não ter tido um segundo filho e tudo ser como antigamente , almoços e jantares de família plenos de sorrisos e alegrias hipócritas e a família perfeita , outros procuram que fosse esta a verdade e que eu conseguisse ter uma vida dupla ou tripla ser um super homem para me desdobrar em vários sentidos , ser o homem da mascara com varias caras , ser o Francis Ford Cappola com capacidade para escrever argumentos para um filme candidato a óscar , tudo isto para poderem ter um forte argumento para colocar uma pedra onde não cabe um alfinete, ou seja tapar algo que não pode nem deve ser tapado.

Cada um tem a sua razão , mas a vida é a minha , sou eu que a tenho escrito e terei que continuar a escrever , hoje fica aqui uma trilogia que me castiga e ate mesmo me envergonha, mas também me deixa força para olhar para a frente .

Um agradecimento ao amigo que partiu e de quem tenho saudades a familiares também ausentes e que me deram apoio de que sinto falta, porque não um agradecimento a quem me fez feliz mesmo que por poucos momentos, um agradecimento aqueles que ainda gostam de partilhar algo comigo e que ficam torcendo pela minha felicidade estando sempre dispostos a uma boa conversa.

À meia noite vou pegar na peneira onde vou peneirar todos os telefonemas , mensagens e outras formas de me darem os parabéns, todas vou ouvir e ler mas vão ser peneiradas como se fossem ouro pois algumas vão ser meros gestos de educação e pouco mais que isso e como tal não vão chegar recheados de sentimentos e carinho e como tal não apagam humilhações, ao final do dia recolho o ouro peneirado e guardo como tesouro o que vier de cor amarela mas sem qualquer pinta de sentimento será atirado ao vento.

1 comentário:

Anónimo disse...

O coração tem razões que a própria razão desconhece...