Tantas e tantas vezes nos escondemos das coisas que nos perturbam, situações complicadas que tentamos gerir sem saber a melhor maneira de o fazer.
Tantas e tantas vezes somos confrontados com situações em que a razão diz uma coisa e o coração fala em sentido totalmente oposto.
Tantas e tantas vezes queremos ser fortes e somos vencidos pela força dos argumentos que nos contrariam.
Tantas e tantas vezes vivi dilemas e tomei as decisões erradas
Tantas e tantas vezes confundi os outros com as minhas atitudes, só porque não soube tomar a atitude certa no momento certo.
Tantas e tantas vezes o facto de me ter escondido me fez perder os meus objectivos, deixando-me num vazio.
Tantas e tantas vezes perdi a oportunidade de tomar o caminho certo e fiquei comodamente instalado sobre um vazio.
Hoje observo e pouco ou nada me resta, o que tenho é superficial que insisto em manter em nome de ideias e preconceitos que teimo em manter.
Hoje observo e entendo o medo dos outros em se aproximarem, hoje pago a factura de tantas e tantas vezes ………..
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Poema de Alberto Caeiro
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